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CBF Notifica 99 por Marketing de Emboscada na Copa 2026

A CBF enviou notificação extrajudicial à 99 Tecnologia por campanha não autorizada com o nome de Endrick durante a Copa do Mundo 2026. Empresa retirou campanha do ar.

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Daniel Krust
··5 min de leitura
Endrick com a camisa da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026, jogo contra o Haiti na Filadélfia

CBF Notifica 99 Tecnologia por Marketing de Emboscada na Copa do Mundo 2026

Uma campanha criativa virou caso jurídico. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) notificou extrajudicialmente a 99 Tecnologia Ltda. e exigiu a retirada de uma campanha publicitária lançada durante a Copa do Mundo que utilizava referências ao atacante Endrick. A ação acelerou rápido: em poucas horas, a empresa tirou tudo do ar.

A campanha que acendeu o sinal vermelho

A notificação extrajudicial foi formulada na sexta-feira (19/6), às vésperas do jogo do Brasil contra o Haiti, válido pela segunda rodada da Copa do Mundo FIFA 2026.

O timing não foi coincidência. A campanha da 99 usava o tema "O Brasil está pedindo, a 99 vai entregar" e aproveitava o clamor de torcedores pela entrada de Endrick em campo no segundo jogo da seleção brasileira.

Pelas regras da promoção, consumidores que fizessem pedidos nas categorias de mobilidade da empresa — como 99Entrega e 99Food — e recebessem atendimento de entregadores chamados Endrick, Hendrick, Endrique ou Hendrique ganhariam R$ 99 em cupons.

A ação coincidiu com a expectativa da torcida pela escalação do atacante do Lyon na partida contra o Haiti, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa. No jogo, Endrick de fato entrou em campo, no segundo tempo.

O que a CBF alega na notificação

A entidade não poupou linguagem jurídica. A CBF acusou a plataforma de marketing de emboscada, concorrência desleal e uso indevido de elementos associados à seleção brasileira e ao atacante Endrick.

Em documento obtido pela imprensa, a CBF alega que a publicidade usa direitos de personalidade do atleta convocado para a Seleção Brasileira, e elementos visuais, cromáticos e comunicacionais que remetem à Seleção Brasileira e à CBF, ferindo normas de propriedade intelectual garantidas pelo INPI à confederação.

De acordo com a notificação, a campanha poderia induzir consumidores a acreditar que existia algum tipo de vínculo institucional, apoio ou patrocínio oficial entre a 99 e a seleção brasileira.

A entidade argumenta que a Lei Geral do Esporte protege eventos, seleções, atletas e patrocinadores contra ações comerciais que busquem obter vantagens econômicas por meio de associações não autorizadas.

Há ainda um componente concorrencial direto no caso. A CBF afirma que a ação causa prejuízos diretos à confederação e aos seus patrocinadores oficiais e dá à 99 vantagem competitiva indevida em um período crítico como a Copa do Mundo. Um dos patrocinadores oficiais da CBF é a Uber, concorrente direta da 99. A seleção brasileira também conta com patrocínio do iFood, concorrente da 99Food.

O que a CBF exige — e o que acontece se a 99 não cumprir

A notificação pede que a 99 cesse a utilização ou reprodução de ativos intelectuais da CBF, retire os anúncios de circulação, se abstenha de novas campanhas com associações indevidas e apresente uma manifestação formal após recebimento da notificação.

O descumprimento das medidas pode levar a ação a níveis judiciais, aponta a CBF.

A entidade pediu a retirada imediata de todas as campanhas que fizessem referência à seleção ou a atletas que disputam a Copa do Mundo. A 99 atendeu às exigências, e os perfis oficiais da empresa já não mantinham a campanha ativa na noite da própria sexta-feira. Procurada pela reportagem, a 99 não retornou os pedidos de posicionamento.

O cerco se amplia: outras empresas também foram notificadas

O caso da 99 não foi isolado. Outras empresas concorrentes de patrocinadores da seleção brasileira também foram notificadas. Nissan, BYD, Bradesco e Nubank foram algumas marcas que receberam mensagem da entidade por lançarem mensagens em suas redes sociais que supostamente fariam menção à equipe nacional ou a algum de seus jogadores.

No setor automotivo, a Volkswagen é a parceira oficial da seleção brasileira, enquanto no segmento bancário o Itaú ocupa essa posição.

O objetivo da CBF é proteger os contratos comerciais firmados para o atual ciclo da Copa do Mundo e valorizar quem de fato patrocina a seleção brasileira. Para a próxima partida do Brasil, contra a Escócia, na quarta-feira (24), o cerco do departamento de marketing e jurídico da entidade deve se intensificar para detectar novas campanhas.

O que é marketing de emboscada — e por que é crime no Brasil

O marketing de emboscada ocorre quando uma marca se aproveita de algum evento para fazer propagandas sem ser patrocinadora oficial. A prática pode parecer inofensiva, mas carrega peso jurídico real.

Varejistas, redes de alimentação, marcas de vestuário, bancos, plataformas digitais e até pequenos comércios locais estão expostos ao fenômeno, e, no Brasil, ele passou a ser crime desde 2023.

Aprovar peças de última hora, no calor do momento de um gol, é a receita perfeita para o marketing de emboscada acidental. O caso da 99 é um exemplo claro disso: a campanha nasceu da efervescência da torcida, mas cruzou a linha que separa a criatividade da infração.

Para a CBF, o recado está dado. Para as marcas que ainda pensam em surfe criativo na onda da Copa, o aviso também.


Perguntas frequentes

O que é marketing de emboscada?

É a prática em que uma empresa tenta se associar a um evento esportivo ou equipe sem possuir vínculo de patrocínio oficial, criando no consumidor a falsa impressão de apoio ou parceria. No Brasil, a prática é tipificada como crime pela Lei Geral do Esporte desde 2023.

Por que a CBF notificou a 99 Tecnologia?

A 99 lançou uma campanha usando o nome do atacante Endrick e referências visuais à seleção brasileira para promover seus serviços de delivery e mobilidade durante a Copa do Mundo 2026, sem autorização da CBF. A entidade enquadrou a ação como marketing de emboscada e exigiu a retirada imediata dos conteúdos.

A 99 retirou a campanha do ar?

Sim. Após receber a notificação extrajudicial da CBF, a 99 Tecnologia retirou todos os conteúdos relacionados à campanha de seus perfis e canais oficiais ainda na noite de sexta-feira (19/6/2026).

Outras empresas também foram notificadas pela CBF?

Sim. Além da 99, a CBF notificou Nissan, BYD, Bradesco e Nubank por publicações nas redes sociais que supostamente associavam suas marcas à seleção brasileira ou a atletas convocados, sem autorização da confederação.

Qual patrocinadora oficial concorre com a 99?

A 99 concorre diretamente com a Uber, patrocinadora oficial da CBF, e com o iFood, patrocinadora oficial da seleção brasileira no setor de delivery.

Tags:#CBF#Copa do Mundo 2026#Endrick#Marketing de Emboscada#99Food#Seleção Brasileira#Bastidores

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