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Fluminense estima rombo de R$ 100 mi com fim das bets

Presidente Mattheus Montenegro estima impacto de mais de R$ 100 milhões ao Flu após MP de Lula proibir bets no Brasil a partir de 6 de outubro de 2026.

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Daniel Krust
··5 min de leitura
Presidente do Fluminense Mattheus Montenegro em coletiva de imprensa sobre proibição das bets e prejuízo de R$ 100 milhões

Fluminense estima rombo de mais de R$ 100 milhões com o fim das bets

Uma caneta e uma Medida Provisória. Foi o suficiente para o Fluminense acordar no sábado (26) contabilizando um prejuízo que ultrapassa nove dígitos. O presidente do clube, Mattheus Montenegro, colocou as contas na mesa e o número assusta: mais de R$ 100 milhões em receitas ameaçadas.

A MP que sacudiu o futebol brasileiro

Na sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória nº 1.394, que determina o encerramento das operações de cassinos online e casas de apostas esportivas em todo o país. O texto proíbe as bets e também a publicidade do setor, dando às empresas autorizadas até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios — com sites e aplicativos deixando de operar a partir de 6 de outubro.

O impacto no futebol foi imediato e profundo. Dos 20 times que disputam a Série A do Brasileirão em 2026, 14 têm uma casa de apostas como patrocinadora principal. Com a proibição dos jogos e divulgações, a expectativa é de que os clubes tenham de remover os patrocínios relacionados a casas de apostas de seus uniformes, redes sociais, centros de treinamento e até mesmo da nomenclatura de estádios.

"Mais de R$ 100 milhões": o rombo do Flu

O fim das apostas esportivas e dos jogos virtuais online no Brasil terá impacto superior a R$ 100 milhões nas contas do Fluminense, valor estimado pelo presidente do clube, Mattheus Montenegro.

Em entrevista ao CNN Prime Time logo após o anúncio da MP, Montenegro explicou que o impacto para o Fluminense vai muito além do patrocínio estampado na camisa — contratos de placas no estádio e produtos já fabricados também entram na conta.

"Aqui no Fluminense temos o impacto de mais de R$ 100 milhões com a medida, porque, além do patrocínio máster, isso também afeta contratos que a gente tem, como as placas do campo, as camisas que temos já produzidas com seis meses de antecedência." — Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense

O contrato com a Superbet: o que está em jogo

O coração do problema é o vínculo com a Superbet, patrocinadora máster do Tricolor. O Fluminense e a Superbet renovaram a parceria em março deste ano, com novo vínculo válido até o fim de 2029, prevendo R$ 53 milhões fixos por temporada, além de até R$ 33 milhões em bônus dependendo do cumprimento de metas.

Dessa forma, o contrato pode alcançar R$ 86 milhões por ano — e, considerando os quatro anos do vínculo, o valor potencial chega a R$ 344 milhões, caso o Fluminense alcance todas as metas.

A decisão já provocou o rompimento do patrocínio máster da Superbet e atinge receitas de placas e uniformes. Mesmo antes da assinatura da MP, o Fluminense já havia recebido uma notificação da Superbet sobre a possibilidade de rescisão do contrato de patrocínio caso o governo federal proibisse jogos online e apostas esportivas no Brasil.

Montenegro alerta para insegurança jurídica e efeito dominó

O dirigente tricolor não poupou críticas à forma como a decisão foi tomada. Montenegro afirmou que a mudança representa uma preocupação para o Fluminense e para outros clubes brasileiros, principalmente pela rapidez com que a decisão foi tomada.

Entre os argumentos levantados pelo presidente, estão a questão da segurança jurídica — já que a medida foi tomada do dia para a noite, sem transição —, o fato de as bets terem arrecadado R$ 9 bilhões para o governo entre janeiro e agosto de 2026, e o risco de fortalecer o mercado clandestino.

O presidente do Fluminense também destacou que a medida faz com que a maioria dos clubes brasileiros perca o patrocínio ao mesmo tempo, o que desvaloriza o ativo — empresas interessadas terão quase todos os clubes disponíveis, reduzindo o valor de mercado das camisas.

Montenegro afirmou ainda que o Fluminense já identifica argumentos jurídicos para contestar a medida, questionando a efetividade da proibição diante da existência de plataformas ilegais de apostas e sinalizando que os clubes deverão recorrer ao Poder Judiciário.

O futebol brasileiro vai à Justiça?

A postura do Flu parece ser compartilhada por outros clubes. O cenário de perdas coletivas e simultâneas cria uma pressão financeira sem precedentes para o futebol brasileiro. Entre os times com marcas de apostas nos uniformes estão Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Vasco, Santos, Fluminense, Botafogo, Grêmio e Cruzeiro, entre outros.

O Fluminense não está sozinho: o Corinthians, por exemplo, prevê impacto de quase meio bilhão de reais com a restrição de bets, tratando como certa uma perda de arrecadação de ao menos R$ 480 milhões junto à Esportes da Sorte, sua patrocinadora máster.

O prazo é curto — menos de dez dias até 6 de outubro — e a indefinição jurídica é total. Para o Fluminense, a corrida agora é dupla: encontrar um novo patrocínio máster e, ao mesmo tempo, buscar na Justiça algum freio ao impacto imediato da medida. Mais de R$ 100 milhões não aparecem da noite para o dia.


Perguntas frequentes

O que é a Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil?

É a MP nº 1.394, assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro de 2026, que determina o fim das operações de cassinos online e casas de apostas esportivas no país, proibindo também toda publicidade do setor a partir de 6 de outubro.

Qual era o contrato do Fluminense com a Superbet?

A Superbet era patrocinadora máster do Fluminense com contrato até o fim de 2029, prevendo R$ 53 milhões fixos por temporada e até R$ 33 milhões em bônus por metas, podendo atingir R$ 86 milhões anuais.

Quantos clubes da Série A serão afetados pela proibição das bets?

14 dos 20 clubes que disputam a Série A do Brasileirão em 2026 têm uma casa de apostas como patrocinadora principal e precisarão remover essas marcas de uniformes e materiais de divulgação.

O Fluminense pode recorrer à Justiça contra a proibição?

Sim. O presidente Mattheus Montenegro afirmou que o clube já identifica argumentos jurídicos para contestar a medida, citando violação à segurança jurídica e à Constituição pela ausência de período de transição.

Quando as bets precisam retirar patrocínios dos clubes?

Segundo a MP, as empresas autorizadas têm até 5 de outubro de 2026 para retirar materiais publicitários e patrocínios. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos também deixam de operar.

Tags:#Fluminense#Bets#Superbet#Mercado da Bola#Brasileirão#Bastidores#Apostas Esportivas

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