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Mozer, ídolo da zaga do Fla, completa 66 anos
Nascido em 19 de setembro de 1960, José Carlos Nepomuceno Mozer, um dos maiores zagueiros da história do Flamengo, celebra 66 anos neste sábado.

Mozer, ídolo da zaga do Fla, completa 66 anos
Neste sábado, 19 de setembro de 2026, o futebol brasileiro para para lembrar de um gigante. José Carlos Nepomuceno Mozer — simplesmente "Mozer" pra qualquer rubro-negro — completa 66 anos e merece toda a reverência da Nação Flamengo.
De Bangu ao topo do mundo
A história começa longe dos holofotes. Nascido num conjunto residencial de Bangu, Zona Oeste carioca, José Carlos Nepomuceno Mozer começou no futebol de salão atuando pelo Cassino Bangu e depois pelo Pavunense.
O caminho até o profissional não foi simples. Nos gramados, o início veio no dente-de-leite do Campo Grande, chegando mais tarde à escolinha do Botafogo — mas sua carreira quase terminou por aí. Embora muito habilidoso, o meia-esquerda de 14 anos tinha problemas: era baixinho e mirrado.
Foi o Flamengo que enxergou o diamante bruto. Antevendo a provável dispensa no Botafogo, pediu ao pai que o levasse numa peneira do Flamengo na Ilha do Governador. Aprovado, foi submetido ao mesmo tratamento de Zico para ganhar corpo e acelerar o crescimento. Quando chegou ao clube, media 1,53 metro. Aos 19, já media 1,86.
O rápido crescimento, por outro lado, diminuiu sua velocidade, levando-o a mudar de posição: de meia, passou a centroavante, volante e, por fim, quarto-zagueiro, por orientação do paraguaio Modesto Bria, técnico da base rubro-negra.
A construção de um titã na zaga rubro-negra
Seu talento como zagueiro logo chamou a atenção, e ele foi promovido ao time profissional em 1980. De imediato, demonstrou um estilo de jogo vigoroso e técnico, o que o tornou um dos pilares da defesa rubro-negra durante uma das eras mais vitoriosas do clube.
Ao lado de Marinho, ele construiu um verdadeiro paredão intransponível. Enquanto Marinho oferecia a classe e o senso de antecipação, Mozer entrava com a imposição física, o jogo aéreo soberano e a intimidação pura.
O estilo era inconfundível. A revista Placar o descrevia como "quarto-zagueiro, técnico, forte nas disputas corpo a corpo, impulsão fantástica, recuperação rápida". Seu estilo parecia uma síntese de outros gigantes da posição no Flamengo: conciliava a raça de Rondinelli, a técnica ousada que lembrava Domingos da Guia e a excelência na saída de jogo. Acrescentava ainda a imposição física e a soberania no jogo aéreo.
O palmarés: campeão de tudo pelo Mengão
Entre 1980 e 1987, Mozer ajudou a encher o cofre de troféus do Flamengo. Revelado pelo Mais Querido, Mozer atuou com o Manto Sagrado entre 1980 e 1987. Além do Mundial de Clubes, conquistou o Brasileirão em três oportunidades (1980, 1982 e 1983), a Libertadores (1981), foi campeão da Taça Guanabara em 1980, 1981, 1982 e 1984, da Taça Rio em 1983, 1985 e 1986, e do Campeonato Carioca em 1981 e 1986.
O ponto mais alto? Tóquio, dezembro de 1981. Mozer foi um dos pilares da defesa que conduziu o Flamengo ao título da Libertadores de 1981. Na mesma temporada, ajudou o time a conquistar o Mundial Interclubes, quando o Flamengo venceu o Liverpool por 3 a 0, em Tóquio.
Em números, a passagem pelo Flamengo foi avassaladora: entre 1980 e 1987, o zagueiro entrou em campo em 292 partidas oficiais pelo clube, participando de 166 vitórias, 68 empates e apenas 58 derrotas com o manto rubro-negro. Para um jogador com responsabilidades primordialmente defensivas, o desempenho ofensivo foi digno de nota: encerrou seu ciclo no Flamengo com 21 gols marcados, a grande maioria nascida de jogadas de bola parada, aproveitando seus impressionantes impulsos e cabeçadas certeiras.
Um ídolo em três continentes
Depois do Flamengo, Mozer cruzou o Atlântico e conquistou outros palcos. Em 1987, saiu do Flamengo e foi jogar no Benfica. Impecável na marcação, o zagueiro conquistou o coração dos portugueses e o título de campeão português na temporada 1988/89, passando a ser idolatrado pela torcida do Benfica.
Deixou o clube português para vestir a camisa do Olympique de Marseille, onde se sagrou tricampeão francês e recebeu o sugestivo apelido de Muralha.
Retornou ao Benfica em 1992 e conquistou mais dois títulos pelo clube. Em seguida, decidiu encarar o desafio do futebol japonês e assinou com o Kashima Antlers, clube gerenciado pelo velho amigo Zico. Aos 36 anos, encerrou sua carreira com a conquista do Campeonato Japonês de 1996.
Também vestiu a amarelinha. Participou da Copa do Mundo de 1990 e jogou 36 partidas pela Seleção Brasileira.
O legado que não envelhece
Mozer tem lugar de destaque na história de três clubes gigantescos do futebol mundial: o Flamengo, no qual se profissionalizou e se projetou; o Benfica, por onde teve duas passagens; e o Olympique de Marselha, em que viveu parte do período mais bem-sucedido da história da agremiação.
Mas é no Mengão que o afeto é eterno. Em 2025, a Revista Placar elegeu o time dos sonhos dos clubes brasileiros. Como nas enquetes anteriores, de 1994 e 2006, Mozer foi eleito no time ideal do Flamengo. Em 2021, os leitores do site Imortais do Futebol também elegeram um time dos sonhos do Flamengo. Com justiça, Mozer foi o zagueiro mais votado, à frente de Aldair e Domingos.
Mozer é amplamente reconhecido como um dos maiores zagueiros que o Flamengo já teve, e sua carreira é um exemplo de profissionalismo, talento e dedicação.
Feliz aniversário, Muralha. Os 66 anos chegam, mas a história fica pra sempre.
Perguntas frequentes
Quantos anos Mozer completa em 2026?
Mozer nasceu em 19 de setembro de 1960 e completa 66 anos neste sábado, 19 de setembro de 2026.
Quais títulos Mozer conquistou pelo Flamengo?
Pelo Flamengo, Mozer conquistou o Mundial Interclubes de 1981, a Libertadores de 1981, três Brasileirões (1980, 1982 e 1983), dois Campeonatos Cariocas (1981 e 1986), quatro Taças Guanabara e três Taças Rio.
Qual era o apelido de Mozer no Olympique de Marseille?
No Olympique de Marseille, onde foi tricampeão francês, Mozer ficou conhecido como "Muralha", em referência à solidez de sua defesa.
Mozer jogou pela Seleção Brasileira?
Sim. Mozer disputou 36 partidas pela Seleção Brasileira, incluindo participação na Copa do Mundo de 1990, na Itália.
Qual foi o último clube de Mozer como jogador?
Mozer encerrou a carreira no Kashima Antlers, do Japão, em 1996, ao lado do amigo Zico, com quem conquistou o Campeonato Japonês daquele ano.
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