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NY Times publica obituário de Garrincha 43 anos depois
O New York Times publicou um obituário de Mané Garrincha na segunda-feira (13/7), 43 anos após a morte do craque. Entenda por que o jornal fez isso agora.

NY Times publica obituário de Garrincha 43 anos depois da morte do craque
O maior jornal do mundo lembrou, com décadas de atraso, que o Brasil teve um gênio chamado Mané Garrincha. E fez isso de propósito.
O New York Times divulgou, nesta segunda-feira (13 de julho), o texto do obituário de Garrincha, jogador brasileiro que faleceu há 43 anos, em 20 de janeiro de 1983, na cidade do Rio de Janeiro. A publicação pegou muitos leitores de surpresa — mas não foi nenhum erro.
O que é a série "Overlooked No More"
A homenagem não representa um erro editorial, mas faz parte de um projeto especial do jornal americano voltado a personalidades que não receberam o reconhecimento considerado adequado na época de suas mortes. A publicação integra a série "Overlooked No More" ("Não mais esquecidos", em tradução livre), criada para resgatar histórias de figuras históricas que, apesar da relevância em suas áreas, não tiveram um obituário publicado pelo veículo quando faleceram.
O projeto nasceu após o New York Times reconhecer que, desde sua fundação em 1851, sua seção de obituários privilegiou majoritariamente homens brancos, deixando de registrar a trajetória de mulheres, pessoas negras e outras figuras marcantes da história. Desde então, a série busca corrigir essa lacuna editorial ao revisitar biografias que tiveram impacto significativo em diferentes áreas.
A homenagem foi disponibilizada na versão digital do jornal em 10 de julho e também apareceu na edição impressa desta segunda-feira.
Quem foi Garrincha — o Anjo de Pernas Tortas
Manuel Francisco dos Santos, conhecido como Mané Garrincha, nasceu em Pau Grande, distrito de Magé, no Rio de Janeiro, no dia 28 de outubro de 1933. O obituário destaca que o brasileiro contrariava os padrões físicos esperados para um atleta de alto rendimento: nascido com uma perna arqueada para fora e a outra mais curta e voltada para dentro, transformou essa condição em uma das principais marcas de seu estilo de jogo.
Por clubes, o ponta-direita se tornou um dos maiores ídolos da história do Botafogo, vencendo três Campeonatos Cariocas, dois Troféus Rio-São Paulo e diversas taças em excursões pelo mundo. Também passou por Corinthians, Flamengo, Júnior de Barranquilla, Serrano, Olaria e Sacrofano, da Itália.
A dupla que nunca perdeu
Um dos pontos mais celebrados pelo jornal norte-americano é a parceria histórica entre Garrincha e Pelé pela Seleção Brasileira.
Considerado um dos maiores dribladores da história do futebol, Garrincha fez uma dupla memorável com Pelé: ambos nunca perderam jogando juntos pelo Brasil. Ao longo de 60 partidas com a camisa da Seleção, o ex-jogador conquistou 52 vitórias, empatou sete vezes e sofreu apenas uma derrota, desempenho que ajudou a consolidar seu nome entre os maiores atletas da história do país.
Garrincha esteve presente nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962 com a Seleção Brasileira. No segundo título, inclusive, ele foi o principal jogador do torneio, além de um dos artilheiros, com quatro gols marcados.
O título do obituário e o que o NYT diz sobre o amor do brasileiro por Garrincha
Com o título "Não mais esquecido: Garrincha, o brilhante e ferido herói brasileiro da Copa do Mundo", o obituário relembra a importância do ex-atacante para a história da Seleção Brasileira e do futebol mundial.
O texto, assinado pelo repórter Jeré Longman, vai além dos números. Mais do que apresentar estatísticas ou feitos esportivos, o obituário descreve Garrincha como um jogador capaz de transformar partidas em espetáculo. Sua forma irreverente de atuar, marcada por dribles desconcertantes e criatividade, é retratada como um talento raro, cuja genialidade ultrapassava os números registrados dentro de campo.
O texto aborda ainda como a relação dos brasileiros com Garrincha era diferente da admiração dedicada ao Rei do Futebol. Citando o jornalista Alex Bellos, a reportagem afirma que "embora os brasileiros coloquem Pelé num pedestal, eles não o amam da mesma forma que amam Garrincha".
A vida fora dos gramados e a morte aos 49 anos
O obituário não se limita às glórias. O texto relembra que o ex-craque enfrentou alcoolismo, problemas financeiros, depressão e relacionamentos conturbados após o fim da carreira. A publicação cita o casamento com a cantora Elza Soares, os episódios de violência, o acidente de trânsito que matou sua sogra e a deterioração de sua saúde nos últimos anos de vida.
Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, vítima de complicações relacionadas ao alcoolismo.
Em companhia de outros nomes históricos
Garrincha se juntou na série a nomes como Katharine McCormick, responsável por financiar pesquisas para a primeira pílula anticoncepcional, e Polina Gelman, aviadora soviética — que também receberam obituários tardios. Uma lista que diz muito sobre o impacto que o Anjo de Pernas Tortas deixou no mundo, bem além das fronteiras do Brasil.
Décadas após sua morte, Garrincha ainda tem o poder de parar o New York Times. Isso, por si só, já diz tudo.
Perguntas frequentes
Por que o NY Times publicou o obituário de Garrincha agora, em 2026?
A publicação faz parte da série "Overlooked No More" ("Não mais esquecidos"), do New York Times, que resgata obituários de personalidades históricas que não foram noticiadas pelo jornal quando morreram. Garrincha morreu em 1983 sem receber essa cobertura.
Quando e como Garrincha morreu?
Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, no Rio de Janeiro, aos 49 anos, em decorrência de complicações causadas pelo alcoolismo.
Quais títulos Garrincha conquistou pela Seleção Brasileira?
Garrincha foi bicampeão mundial com o Brasil, nas Copas do Mundo de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile). Na segunda conquista, foi o principal jogador do torneio e um dos artilheiros, com quatro gols marcados.
Garrincha e Pelé jogaram juntos e perderam alguma vez?
Nunca. Garrincha e Pelé nunca perderam uma partida quando atuaram juntos pela Seleção Brasileira — um feito histórico que o próprio obituário do New York Times destaca.
O que é a série "Overlooked No More" do New York Times?
É uma série do jornal criada para corrigir lacunas editoriais históricas. Desde sua fundação em 1851, o NYT privilegiou obituários de homens brancos. A série publica homenagens tardias a figuras marcantes de diversas áreas que foram esquecidas na época de suas mortes.
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