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Rachel Denti: a brasileira por trás da amarelinha da Copa 2026

A designer brasileira Rachel Denti, da Nike, criou a nova amarelinha e ainda desenvolveu modelos alternativos — listrado, azul Jordan e outros conceitos que quase vestiram a seleção.

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Daniel Krust
··7 min de leitura
Conceitos de uniformes da seleção brasileira para a Copa do Mundo 2026 incluindo a amarelinha Nike e a camisa azul Jordan Brand

Rachel Denti: a brasileira por trás da amarelinha — e dos uniformes que quase vestiram a seleção

A Copa do Mundo de 2026 já começou, e o Brasil já entrou em campo tanto com a clássica amarelinha quanto com um uniforme reserva azul inédito. Mas por trás de cada detalhe dessas camisas existe uma história — e uma designer brasileira que, trabalhando do Oregon, decidiu o amarelo, o corte da gola, as listras do calção e até os modelos que ficaram na gaveta.


Quem é Rachel Denti, a criadora da amarelinha

Rachel Denti, designer brasileira da Nike, foi identificada como a responsável pelo projeto da nova camisa da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 e apareceu em vídeo explicando cada escolha do uniforme.

Ela é formada em Design Gráfico pela Universidade de Brasília e fez intercâmbio de Belas Artes na Royal Academy of Art, na Holanda. Em 2018, foi trabalhar em um estúdio em Nova York. Em 2021, entrou para a Nike em Portland, onde lidera o design de coleções para a região Ásia-Pacífico e América Latina.

O fato de ser brasileira — e não norte-americana — foi determinante para trazer referências que uma pessoa de fora dificilmente captaria. Na apresentação do uniforme, Rachel falou sobre detalhes da gola, do escudo e da textura da camisa, trazendo referências culturais brasileiras, como o abadá, vestimenta usada por capoeiristas.


A amarelinha: de volta ao essencial

A Nike lançou a nova camisa 1 da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 retomando elementos tradicionais do uniforme amarelo. O modelo marca uma mudança de direção após edições recentes com design mais experimental.

O ponto central foi a cor. A principal aposta foi o retorno ao tom amarelo "Canary", registrado pela fornecedora em referência à identidade histórica da seleção. A proposta foi simplificar o conceito visual e valorizar elementos clássicos, como a cor, a bandeira e detalhes reconhecidos pelo torcedor.

Rachel resumiu a filosofia do projeto com clareza: "O Brasil é o Brasil, não precisa de muita coisa para ser o Brasil. Ele é fácil de ser identificado. Quando você vê a Amarelinha, você sabe que é o Brasil", afirmou a designer Rachel Denti.

Os detalhes que poucos percebem de longe

A camisa reserva um universo de referências para quem chega perto. O tecido é uma novidade: a Nike desenvolveu um material chamado Aerofit, que permite incorporar design diretamente na malha. "De longe talvez você não veja, mas de perto tem uma gama de detalhes. O quadro que a gente fez são as formas geométricas da bandeira do Brasil, que é uma bandeira inconfundível."

As listras laterais do calção, por exemplo, se inspiram no abadá, vestimenta tradicional da capoeira. No escudo, a ideia foi misturar o retrô com algo mais futurista: "Há uma textura de feltro, que remete ao retrô, e o silicone por cima, que é bem moderno. A gola deste ano tem um design mais retrô, presta uma homenagem a esse visual, mas é feita com material que estica bastante", revelou Rachel Denti.

A expressão "Vai, Brasa", estampada na parte interna da gola, também gerou debate. Rachel explicou: "É o Brasil, mas também é Brasa quando está jogando, né? Pra gente é muito fácil de entender, você olha e você sabe o que Vai, Brasa significa. A gente trouxe esse nome, esse apelido carinhoso que a gente dá (…) que a gente escuta nos estádios, escuta na rua."


A camisa azul com o Jumpman — e por que é histórica

Se a amarelinha gerou debate por causa do "Vai, Brasa", a camisa reserva azul acendeu uma discussão ainda maior: ela traz o logo da Jordan Brand em vez do tradicional swoosh da Nike.

A seleção brasileira apresentou sua nova camisa 2 azul para ser usada na Copa do Mundo 2026. O uniforme foi revelado pela Nike em um evento em São Paulo. A grande novidade é que a peça possui design e logomarca da Jordan Brand. Ao invés do famoso "Swoosh" da Nike, a peça tem o "Jumpman", que retrata a silhueta da lenda do basquete Michael Jordan.

Pela primeira vez na história, uma seleção nacional de futebol tem o uniforme estampado pelo ícone característico da Jordan.

Inspirada no manto de Nossa Senhora Aparecida, a camisa azul chamou a atenção pelos diferentes elementos criativos incorporados ao design. Entre eles, destaca-se a silhueta preta estampada na parte frontal e traseira da peça, que rapidamente se tornou alvo de especulações nas redes sociais. O elemento, na verdade, é um sapo-flecha — símbolo ligado ao conceito do uniforme, não um demônio como alguns especularam.

O tom de azul escolhido é bem mais escuro que nos últimos uniformes alternativos do Brasil, com detalhes pretos no centro, nas costas e em verde-água nas laterais. A escolha pela temática mais "dark" faz parte da campanha "Joga Sinistro" da Nike, que conta com Vinicius Jr., Estêvão e Vitor Roque.

No jogo contra o Haiti, em 19 de junho, a Seleção Brasileira usou pela primeira vez na Copa do Mundo de 2026 o segundo uniforme oficial.


Os modelos que quase vestiram o Brasil

O debate sobre a identidade visual da seleção foi além dos dois uniformes lançados. Antes da definição oficial, versões alternativas circularam — e algumas chegaram bem perto de virar realidade.

O site internacional Footy Headlines publicou a imagem de um uniforme que seria usado pelo Brasil na Copa de 2026. Diferentemente das tradicionais cores amarelo e azul, desta vez a equipe vestiria vermelho. A publicação também dizia que a Nike preparava outra mudança: além da cor vermelha, os uniformes não teriam o símbolo da Nike e sim o logo da Jordan.

No mesmo dia, a CBF usou as redes sociais para dizer que as cores tradicionais da camisa da seleção (amarelo, azul e branco) seriam mantidas, e declarou que aquelas imagens que circularam na internet não eram oficiais. Mas a história tinha mais um capítulo.

Meses depois, a instituição confirmou oficialmente que uma versão vermelha do uniforme estava em produção. O presidente da CBF pediu à Nike que interrompesse o projeto das camisas vermelhas. "Realmente estava em produção. Fiz uma reunião com a Nike para que parasse", declarou Samir Xaud.

Conceitos com listras, grafismos com o mapa do Brasil e outras propostas fizeram parte do processo criativo interno — o caminho natural de qualquer projeto de identidade visual antes de chegar ao produto final. A coleção que chegou ao campo reflete as escolhas que sobreviveram a esse funil criativo.


A coleção completa para a Copa 2026

Para a fase de grupos, a Seleção Brasileira utilizará diferentes combinações ao longo da primeira fase, vestindo tanto a tradicional camisa amarela quanto o uniforme azul durante a campanha.

  • Estreia x Marrocos (13/jun, Nova Jersey): camisa amarela, calção azul e meias brancas.
  • x Haiti (19/jun, Filadélfia): uniforme totalmente azul — camisa e calção da mesma cor, complementados por meias pretas.
  • x Escócia (24/jun, Miami): camisa amarela novamente, mas com calção branco e meias brancas.

A segunda camisa marca a primeira vez que o logo Jumpman aparece em um uniforme de uma seleção nacional e faz parte de uma parceria entre as duas marcas. Além do uniforme, a colaboração inclui uma coleção de streetwear e produtos de treino inspirados nas cores da Seleção.


Perguntas frequentes

quem criou a camisa da seleção brasileira para a copa 2026?

Uma das idealizadoras do uniforme foi a designer da Nike, Rachel Denti. Ela é formada em Design Gráfico pela Universidade de Brasília e lidera o design de coleções para a região Ásia-Pacífico e América Latina da empresa, trabalhando em Portland, nos Estados Unidos.

o que significa "vai, brasa" na camisa da seleção?

É uma expressão impressa na parte interna da gola do uniforme. A presença da palavra "Brasa" levantou críticas, e torcedores disseram que o termo não é usado pela maioria dos brasileiros para se referir ao país. Para Rachel Denti, porém, trata-se de um apelido carinhoso que se escuta nos estádios e nas ruas do Brasil.

por que a camisa reserva da seleção tem o logo da jordan?

A segunda camisa da Seleção é assinada pela Jordan, braço da Nike responsável pelos lançamentos de basquete e street style. Pela primeira vez na história, uma seleção nacional de futebol tem o uniforme estampado pelo ícone característico da marca.

o brasil chegou a ter uma camisa vermelha para a copa 2026?

A CBF confirmou oficialmente que uma versão vermelha do uniforme chegou a estar em produção. O presidente Samir Xaud pediu à Nike que interrompesse o projeto. "Realmente estava em produção. Fiz uma reunião com a Nike para que parasse", declarou. A versão vermelha nunca chegou a ser lançada oficialmente.

qual a tecnologia usada na nova camisa da seleção?

A Nike desenvolveu o tecido Aerofit, que permite incorporar desenhos diretamente na malha da camisa sem comprometer a leveza. O produto foi produzido com 100% de resíduos têxteis reciclados e conta com a tecnologia Aero-FIT, que amplia a circulação de ar entre a pele e o tecido.

Tags:#Seleção Brasileira#Copa do Mundo 2026#Nike#uniforme#design#Rachel Denti#camisa azul#Jordan Brand

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